terça-feira, 8 de maio de 2012

infurno


Torpor
diante claustro.
guardo no porta luvas
os passos que escondi.
distração
com o ser imaginário
que habita os recônditos da consciência.
o mesmo dia a encarar
de frente
com um sol seco.

os ecos ainda não chegaram.
espero sentado no automóvel
olhando os incidentes
causados pela fumaça cáustica.
aos ouvidos, django.
como podem dedos
meros
transportar um swing
de vida bandida
tão roubada de si
e doada aos ventos.?
fecho a janela
infurnando o som
a fúria
dentro da célula
desse intestino solto
acoplado a um organismo convulso.
minutos avulsos
de uma vida em trânsito

sexta-feira, 4 de maio de 2012

escalas

Cada um com seu estilo
 Cada um com sua face
  Cada um com seu polido
    Cada um com sua crase
 1 de cada em seu orgulho

Um a um com seu mergulho

 Na funda escura caverna

 da monocromática linha amarela

quinta-feira, 19 de abril de 2012

de novo, de dia

derrubei em cima dos antigos trapos
os momentos de entusiasmo desmedido
esperei batendo o pé no asfalto da esquina
no mise en scène da vida desenbestada

guardei a bituca no bolso

em caso de alvoroço do outro lado
junto meus trapos e caio fora
o salto pode ser mortal
nessa altura da avenida

ah! se os farrapos desses panos encardidos
falassem
poderiam balbuciar o fim de uma era definitiva
onde o chão seria um manto de pétalas
sem asfalto pra pisar
e os ares repletos de helio
enchendo as barrigas
e cabeças dos seres
livres para flutuar

mas trapos não falam
e devo caminhar agora

sábado, 14 de abril de 2012

sextas na porta

esse vento que te resfria
de antes só esqueço daquele teu gosto
do respiro cojugado naquela noite
que foi una, absoluta em sua plenitude

com o tempo, por aí
as sextas etinerantes passam
de porta em porta
deixando apetrechos de lembranças
pequenos tesouros sensíveis ao toque

isso explica estarem embalsamados
em plástico bolha
evitando os choques ou estardalhaços bruscos

penso de na próxima que vir
deixar esses amuletos encontrarem
seu caminho ou descaminho
se acharão por si só
ou desaparecerão na névoa dos dias

importa saber que se for teu
meu, e nosso, restará,
como uma gota que mergulha
nos olhos lacrimosos e penetra
pela carne vulnerável,
os contornos loucos
que atravessam a barreira dos dias

terça-feira, 13 de março de 2012

espelho d'água

sílabas tônicas para o deleite
estreito espaço forjado
entre a compreensão e o acinte

Entre a lágrima que lava o espírito
e o líquido que devasta o mundo
correm rios de origem desconhecida
Rios abraçados por margens extremas
levando
maravilhosos destinos em suas fozes
desembocaduras

as bocas de vozes em engasgo de voracidade
esperam secas
pelo derrame do leito
um alimento
rico em minerais
sais

volto às sílabas atônitas
ao largo dos lugares conquistados
por entre os fluxos interminentes
e os espelhos d'água

refletindo seus olhos vesgos

quinta-feira, 1 de março de 2012

sem título

O sol nasce horizontal
fica a pino
sombreando seus olhos



O pneu cantou
em dó menor
dos males o melhor



O tempo passou
a fonte da juventude
urge reformas

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

respaldo

Os segredos perdidos
em uma fossa qualquer
uma gota de silêncio
para os dias de balbúrdia
doces mistérios rondam
as serenas foices do fim

Quando se está no meio
e muros dizem por onde pisar
crê-se nas craquejadas certezas
os mantos de aura desgastada
oferecem sua majestade impertinente

Nas grutas de amanhecer tardio
pode-se rever as cenas
reprisadas no episódio remoto

Lá fora brilha uma luz
do alcatrão queimado
a fumaça forma um anjo
andrógino por natureza
é só por uma ocasião
ocasional, do lado de dentro
a piada faz sentido
em um sorriso de lábios cerrados

abrigo ratos e borboletas
fauna autóctone
alimenta e se alimenta
de linhas férreas
carros estacionados
fios arrancados
risos sérios