segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ventos afoitos




respingou em meu silêncio
as gotas tortuosas da insanidade

pretendia ser pleno
em todos os sentidos
tirar a sabedoria engavetada
era uma das primeiras intenções

remar por águas novas
ouvir as lamúrias
de um rebentar de onda
que traz o ímpeto
a força
forma as rochas
e leva o que puder pelo caminho
pus-me livre, ali bem na rebentação
deixando-me ser sorvido
pelo afoito e inocente mar

mas não esperava
realmente
os ventos
em forma de ciclone
apoderando-se da costa


quinta-feira, 29 de novembro de 2012


O que eu dizia
Ouvia
Sentia
O que prevera
O que já era
Era hera
Subindo
Pelas Eras
afora
Sem se dar conta
O que cantava
ou afagava
ia
brandia
em miúdos passos

Palavras
sozinhas
não conjugam
em tempo
Qualquer
Daqui
para o que viera
Serão só
figueiras
de copas
extensas

Desde donde
Até onde
puder



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Apenas preciso


Colo
me dê um
para sentir a suavidade
para me mostrar um eixo
um facho

lá estão os dias
nessa noite
reticente

Fecho os olhos
com a vontade
de despertar

esse consolo
pode ser mais
que um espetáculo
solo

colo

Selo a carta
com a foto
de um céu
tempestuoso

mas assino
meu verdadeiro nome
meus reais
por mais banais
desejos

Agora
sou um pequeno gesto
feito sem intenção
quase
e finito
no mesmo momento
que encosto meu rosto

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

tudo paia

ele achou que escrever
traria sua paz
revelaria os segredos
em sublimes rompantes
seria lido
e saberia que parte de si
seria reconhecido

Pareceria importante

um bom leitor e entalhador de palavras
alguém de espírito bom
disposto a ser justo
a todo custo
entraria empaticamente
na pele do outro
vestindo seus olhos
adornaria a cabeça com chapéu
de inverno
cobrindo o corpo com a lã rasgada
do corpo do chão
seria ele mesmo espelhado
em verso
o reverso do que não queria
e por estar ali em sintonia
com a alma
e a consciência
seria diferente
da massa

era paia
e não sabia

terça-feira, 6 de novembro de 2012

nácar


de novo
essa ostra
ovo
casca
rosto
o outro
gera madrepérola
que um dia
com o tempo
vira pérola

esse abraço
aquece
de amanhecer
o dia
e minha defesa
só pode ser
futura jóia
de cor desconhecida
descoberta
paulatinamente

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

prazer, simples


Hoje eu vou falar do simples
Que se complicou no meio da explicação
Nasceu avesso ao hermético
Mas desandou no caminho
Era 1 mais 1 igual a 2
Só depois
Virou emaranhado

Quando perguntou
O porquê de ser simples
Iniciou sua vereda
em estreitos afluentes
Rizomáticos
Sintomáticos
Dos efeitos somáticos
De sua crise identitária

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

vá vão

cuidado
com o vão entre
o trem e a plataforma
cuidado
com o são obstruíndo
a simples norma
cuidado
com a visão através
da superfície e a forma
cuidado
com o dado
jogado
entre
a vontade
e a conforma(ção)
se possível
não fique atrás da porta
libere o fluxo
pois
dois corpos
não ocupam o mesmo vão

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

imersão


Eu cheguei
ela já estava
me esperando?
Não sei
ainda não sabia

cheguei devagarinho
com o cuidado que a ocasião pedia
e lá estava
de shorts e tênis
pró-ativa
providenciou cadernos
pra escrever histórias

solta
eu, de roupa quase engomada
queria comunhar
de sua leveza
não imaginei
preocupado com a nova jornada
mas aqueles olhos
a revelar
algo que não estava pronto

ainda não sabia
mas o que se chama universo
ou o que seja que semeia
deixou a deixa

mas espera um pouco 

que vou pra imersão

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

lente descontado

agora
separo
o trigo
da intriga

percebi
que a briga
ajuda

a luta
é semente
o ser é terra

conflito
de atrito
é alimento
fruta

paraquebaixaracabeça
se o horizonte te encara de frente?

as lentes embaçadas
ficaram no sereno
e vi
de longe
o que antes não via

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

rompas

no espaço de tempo
de passos miúdos
fui alcançado

déjà vu
repetição
da inamovibilidade
própria

reverso
foi o desejo
inspirado
no entardecer
de sol caindo

a ponta da coragem
perfurou
a película
fina e
sagrada
da estabilidade

uníssona

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"-----------"

às vezes
tem vezes
que nem
áspas
servem
pra voz

plu

rio
de gente

o que vou pensar agora?

estão me olhando,
não, estou debaixo da tela
do vagão
e tem resumo de novela

é hoje!!!!!!!!
e foi ontem!
e será depois de hoje.
a mesma cena



sábado, 6 de outubro de 2012

Lar

As grades separam o leão do público

Resgatam a mansidão esquecida
à força
Nas tardes vazias
Ele prefere mascar os restos
De lembrança
Que criou
Durante o tempo vazio

Em seus sonhos
Pode
decepar em só golpe de pata felina
As hastes
Os pescoços
os rostos

Entrei na jaula
E senti o cheiro do medo
Encruado
Escorrendo

de lado a lado
Na ponta do bigode

Entrei nos sonhos
E fui a grade
Varada pelas garras
Mas plena
Pois não precisava
Vigiar mais








sexta-feira, 28 de setembro de 2012

d talhado

desci os montes largos
para ver de perto o 
detalhe
era desapercebido
aquele ponto 
de luz iminente

da amplidão dos céus

e plenitude do horizonte
era absoluto


devaneio


mas neste instante
divido o chão
com esse detalhe
do passado
do recente ou porvir


e nele
roço a pele
e os nervos
a ponto de ter os seus
olhos


uma vista privilegiada
da fusão
da amplidão dos montes
com os céus


liberdade
renúncia
promessa


não tenho pressa
de voltar aos cumes




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Meio dia

Sois
Sóis

em desatino
à pino

movem
as sombras esquecidas
pro canto da saudade

A sós
só nós

e o destino
um ensino

que ainda aguarda
o Tempo
pra existir

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

o que você disse?

separados por um silêncio


o passado

um sem número de lances
içado
de suas fontes intermitentes

agora
aflora
esquenta e rebenta

o mutismo

olha que hoje nem é dia
hoje
não tem ventania
nem sol na varanda

mas vi logo ao longe
sua boca trêmula
e meus pés
passo a passo
no encalço do silêncio

deixou atrás o vazio
pra encontrar um fio
de razão
em seu olhos

o sentido se faz
na troca
na troça
do poder que a ninguém
representa

liberdade
é aprendizado
dignidade
é reconhecimento mútuo

 



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Verbos conjugados

Dar e receber
em troca
ou pela obra
da gratidão
Viver e saber
que o tempo
é ida, v
de vinda, vida
Pensar e agir
como crer
ser livre
em si
De dentro
pro centro

Chorar e secar
as lágrimas de dor
por que o indizível
está à espera
da palavra





terça-feira, 17 de julho de 2012

desorbitado


Você é um planeta
de outro mundo
resvalou em minha órbita
causando um grande estrondo
você é de Tangamandapio
onde as pessoas se olham de esgueira
e inventam palavras por fastio
palavras frágeis
que são lançadas pelas ladeiras
Lá ficam desoladas
esperando a próxima onda para afogá-las
Você é uma bacia
como aquelas que banhava-me quando criança
a mesma que hoje em dia
serve de depósito de vômito
nas noites de expurgo
Você pode até ser um autômato
destinado a ser infernal
espalhando seu eu
em meu trôpego planeta
você, não se meta
nos negócios de meu povo
quero que esqueça de novo
que dividimos o sol

agora só quero
construir minha prórpia
bola de fogo

quinta-feira, 28 de junho de 2012

em noites assim

ó o silêncio dessa tarde
as pessoas mudas escoando pelos cantos
em curto circuitos de finalidades

afasto os pés dos percalços íngrimes
lembrando algo que me foi dito
inspira, expira, aspira
e recorre ao seu canto

deixa o sol cair de cara
e queimar os restos frescos
do dia

ó, que a lua vem hoje
alento daquele que nutre
no breu, um eu aposto

explica o que desconhece

deixo em suas mãos
o poder de nomear

ao menos, o oposto
deixe-o exposto
e defina por negação

seu canto, seu encosto
te espera desde ontem
mas, ó, seu rosto
nesta noite
está especialmente
fosco
pelo luar

segunda-feira, 25 de junho de 2012

desacordado

Uma longa despedida
de um dia
de uma vida

Sonhos vêm e vão
mas há noites em que eles não aparecem
Caminham por outras cercanias
revelando outros sonhos mais a terceiros

caminho
transpor as ruas desacordado
num desamor de coração triste
cambaleante

a ponte sobre a barricada de senões
desemboca no seio cheio
de fastio

o desencontro desta noite
tremula aos olhos serenos
dos coiotes que rondam os bueiros 

e, dor, é de se perceber
credor de sua conta
que hoje

só amanhã

sexta-feira, 15 de junho de 2012

fios de hoje


Descontinuidades
Descobrir continuidades
Dentro do útero férreo
De uma cidade destronada de glamour

Dos tempos áureos
Restou o luxo de sobreviver
Sorver entre dentes
o ar cotidiano repleto de calor
dos pulmões ao redor

O relincho da composição
remexe como cerdas os ocupantes.
Estremeceu as cabeças soltas
balaio de divagações

Crivo meu olhos na janela,
para  acompanhar as curvas dos fios de tensão
provavelmente na desinteressada intenção
de chegar a algum lugar

sábado, 2 de junho de 2012

dantes de tudo


esperei no canto
olhos de olho nos efeitos do vento
escolhi esse espaço
para esperar

difícil explicar o que exatamente
godot, sabemos que ele não vem
mas um outro alguém
sempre pode aparecer

um próximo toque
um desvio inesperado
um estampido de baque
inviolável

esperei uns segundos
7 anos e três dias
enquanto isso
deixei uma lágrima acumlada
no canto esquerdo do olho

o tempo de sua queda
foi o instante
que o esperado
mostrou-se ali
onde já estava
antes

Foto retirada do blog http://blogdamartabellini.blogspot.com.br/

terça-feira, 8 de maio de 2012

infurno


Torpor
diante claustro.
guardo no porta luvas
os passos que escondi.
distração
com o ser imaginário
que habita os recônditos da consciência.
o mesmo dia a encarar
de frente
com um sol seco.

os ecos ainda não chegaram.
espero sentado no automóvel
olhando os incidentes
causados pela fumaça cáustica.
aos ouvidos, django.
como podem dedos
meros
transportar um swing
de vida bandida
tão roubada de si
e doada aos ventos.?
fecho a janela
infurnando o som
a fúria
dentro da célula
desse intestino solto
acoplado a um organismo convulso.
minutos avulsos
de uma vida em trânsito

sexta-feira, 4 de maio de 2012

escalas

Cada um com seu estilo
 Cada um com sua face
  Cada um com seu polido
    Cada um com sua crase
 1 de cada em seu orgulho

Um a um com seu mergulho

 Na funda escura caverna

 da monocromática linha amarela

quinta-feira, 19 de abril de 2012

de novo, de dia

derrubei em cima dos antigos trapos
os momentos de entusiasmo desmedido
esperei batendo o pé no asfalto da esquina
no mise en scène da vida desenbestada

guardei a bituca no bolso

em caso de alvoroço do outro lado
junto meus trapos e caio fora
o salto pode ser mortal
nessa altura da avenida

ah! se os farrapos desses panos encardidos
falassem
poderiam balbuciar o fim de uma era definitiva
onde o chão seria um manto de pétalas
sem asfalto pra pisar
e os ares repletos de helio
enchendo as barrigas
e cabeças dos seres
livres para flutuar

mas trapos não falam
e devo caminhar agora

sábado, 14 de abril de 2012

sextas na porta

esse vento que te resfria
de antes só esqueço daquele teu gosto
do respiro cojugado naquela noite
que foi una, absoluta em sua plenitude

com o tempo, por aí
as sextas etinerantes passam
de porta em porta
deixando apetrechos de lembranças
pequenos tesouros sensíveis ao toque

isso explica estarem embalsamados
em plástico bolha
evitando os choques ou estardalhaços bruscos

penso de na próxima que vir
deixar esses amuletos encontrarem
seu caminho ou descaminho
se acharão por si só
ou desaparecerão na névoa dos dias

importa saber que se for teu
meu, e nosso, restará,
como uma gota que mergulha
nos olhos lacrimosos e penetra
pela carne vulnerável,
os contornos loucos
que atravessam a barreira dos dias

terça-feira, 13 de março de 2012

espelho d'água

sílabas tônicas para o deleite
estreito espaço forjado
entre a compreensão e o acinte

Entre a lágrima que lava o espírito
e o líquido que devasta o mundo
correm rios de origem desconhecida
Rios abraçados por margens extremas
levando
maravilhosos destinos em suas fozes
desembocaduras

as bocas de vozes em engasgo de voracidade
esperam secas
pelo derrame do leito
um alimento
rico em minerais
sais

volto às sílabas atônitas
ao largo dos lugares conquistados
por entre os fluxos interminentes
e os espelhos d'água

refletindo seus olhos vesgos

quinta-feira, 1 de março de 2012

sem título

O sol nasce horizontal
fica a pino
sombreando seus olhos



O pneu cantou
em dó menor
dos males o melhor



O tempo passou
a fonte da juventude
urge reformas

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

respaldo

Os segredos perdidos
em uma fossa qualquer
uma gota de silêncio
para os dias de balbúrdia
doces mistérios rondam
as serenas foices do fim

Quando se está no meio
e muros dizem por onde pisar
crê-se nas craquejadas certezas
os mantos de aura desgastada
oferecem sua majestade impertinente

Nas grutas de amanhecer tardio
pode-se rever as cenas
reprisadas no episódio remoto

Lá fora brilha uma luz
do alcatrão queimado
a fumaça forma um anjo
andrógino por natureza
é só por uma ocasião
ocasional, do lado de dentro
a piada faz sentido
em um sorriso de lábios cerrados

abrigo ratos e borboletas
fauna autóctone
alimenta e se alimenta
de linhas férreas
carros estacionados
fios arrancados
risos sérios

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

pingo dobrado


Como um sabor de paprica
polvilhada sobre as madeixas de um lindo cavalo
Segure em minha mão,
e arraste a última esperança de uma existência válida
soletre meu nome com palavras estrangeiras
chamando um carrasco, com asco de seu prórprio odor
andor
Em volta, reminiscências de uma tarde mal passada,
prestes a amadurecer
em uma noite calada
de versos prévios
Mistérios sempre rondarão os espelhos de minha alma
A magia do belo encanto da montanha
cobriu meu corpo na madrugada.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

palimpsesto


Pelas janelas faíscam esquálidas chamas de humor
aqui dentro, fechou-se em segredo
as últimas palavras de um sábio ancião

voltarei quando precisares
e quando menos esperares
serei vento em sua testa tensa

e tesa

de noite, no bafo da madrugada
as palavras se espalharam como uma aura calígrafa
empilhando os versos
esquecendo os restos da relva estelar
no chão do banheiro

palimpisesto

sabes que es esto?

Foi eliminado o significado
ofuscado com o raiar dessa lua
queimou a crua ideia
de que amanhã
as dores
e odores céticos
desaperecerão

venha dia imperfeito!
que o sábio ancião mostrou o caminho
movediço
disso
sabemos

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

olhos rotos

se te disserem que se esqueça dos seus pensamentos sustenidos
de sua visão invasora de redomas imemoriais
se cotejarem sua loucura, buscando um fio de razão concreta
ou separarem de sua fonte
a elegia por uma verdade

Por que os adultos choram escondidos?





Não posso falar, que sua ausência corrói minha noção de vida
Mesmo se você ouvisse, sei que não entenderia nada
Posso me debater, encontrando as pontas nos muros
resgatando a dor que nunca adormece
Posso crer que o meu ódio rompa o véu da insensibilidade
Posso até acreditar que nada disso aconteceu

nunca mais verei os olhos tortos de seu rosto

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

vulto na janela

interditado
deixe estar
que o ser está deitado
distraído com a estrela cadente
em seu colo
roubando as horas
para ver se é pego
em flagrante



VáCuo

VuLto

VOLTO

mais além

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

batalha hão

Torres da razão
flores de ilusão
e cacos espalhados
vindos da janela estilhaçada
pelos gestos abruptos do batalhão
choque para dissuadir
dissolver o resquício da sanidade no mundo
há quantos anos?
Mais quantos?
Cospe sua alma suja
e dá descarga
pra não empestear por aí

a utopia
ainda habita os campos?
Ignorar a chama espontânea
da terra
erigiria a lápide
do fio de integridade
que resta